Seminário debate políticas públicas para a juventude

25 maio 2012 | Notícias | Território: Fallet / Fogueteiro / Coroa, Fazendinha, Complexo do Alemão, Escondidinho / Prazeres , Providência, Turano, Tabajaras / Cabritos, São João, São Carlos, Santa Marta, Salgueiro, Pavão-Pavãozinho / Cantagalo, Nova Brasília, Mangueira, Macacos, Formiga, Complexo da Penha, Cidade de Deus, Chapéu Mangueira / Babilônia, Borel, Batan, Andaraí, Vidigal

A importância da participação dos jovens no desenvolvimento de políticas públicas nas comunidades cariocas esteve no centro do debate Ressignificação da Juventude, na segunda rodada do Seminário de Integração Favela-Cidade. O evento reuniu na última quarta e quinta-feira (23 e 24) representantes de comunidades, pesquisadores e autoridades, na sede da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan) no centro da cidade.

Historicamente fragilizada nas comunidades cariocas, a relação de confiança do jovem com as instituições sociais deve ser repensada a partir de uma concepção inovadora de política pública. É o que defende o presidente do Instituto Pereira Passos e coordenador da UPP Social, Ricardo Henriques. “Apenas elaborar cursos preparatórios de capacitação para o mercado de trabalho é fazer mais do mesmo. Precisamos produzir novas formas de atuação e inclusão social”.

 

De acordo com Ricardo os jovens das favelas são uma potência criativa e devem fazer a diferença nas escolhas de políticas públicas adequadas para as comunidades. Criminalizar o baile funk, por exemplo, pode inviabilizar, segundo Ricardo, esse estilo musical em outras esferas de expressão. Disputada em comunidades como a do Batan, a Batalha do Passinho é um bom exemplo de ruptura de preconceitos contra o funk. “Precisamos trazer a ideia do encantamento para a política social. Negligenciar os saberes locais da favela é um equívoco”, destacou Ricardo.

 

Para ele faz-se necessário romper com os discursos tradicionais voltados para a educação de jovens: “Tipicamente empreendedora, a juventude das comunidades apresenta dinâmicas próprias e inovadoras. É preciso respeitá-las”.

 

UPP Social como exemplo de inovação

 

Ricardo Henriques citou a UPP Social como exemplo de programa que atua no sentido do protagonismo jovem, potencializando o diálogo entre prefeitura e comunidades. Para ele, as políticas de juventude só serão efetivas se produzirem participação. “O desafio da terceira geração da política pública brasileira é o de sair do encastelamento, dando conta de estabelecer vínculos e desenvolver habilidades que reconfigurem as relações de confiança”, destacou.

 

A professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ, Regina Novaes, também abordou novas possibilidades de inserção da juventude no atual processo de pacificação e retomada das comunidades pelo Estado. Segundo ela, a agenda das políticas públicas deve contemplar o tempo presente incorporando a perspectiva dos direitos nos projetos sociais e estimulando o diálogo entre jovens. “Estamos numa realidade em que a favela vem se tornando um território da cidade, do estado e do país. A situação dos jovens é muito diversificada. Perceber essas diferenças de trajetórias não lineares, com demandas de distribuição, reconhecimento e participação diferentes, é fundamental para se adotar uma nova política pública de juventude. Não há mais incongruências entre as esferas municipal, estadual e federal de governo, nem tampouco desculpas para que o processo de inserção social do jovem não se concretize”, disse.

 

A pesquisadora destacou ainda que o território deve ser pensado junto com as redes sociais estabelecidas entre os jovens, apoiando e ampliando ainda mais o conceito libertário do “ir e vir”: “Devemos nos aproximar do passado, redimensionar o presente e inaugurar novas possibilidades para que recuperemos o espaço da educação e do trabalho num modelo novo de emancipação”.

 

O debate também contou com a participação da subsecretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Maria Celia Pucu que  citou os Centros de Referência da Juventude (CRJ) como possibilidade de reinserção social de jovens. Atualmente, os CRJ’s estão instalados no Cantagalo, Providência, Cidade de Deus, Santa Cruz, Manguinhos, Jacarezinho, Complexo do Alemão, Rocinha, e nos municípios de Niterói e Nova Iguaçu atendendo um público de 14 a 29 anos e oferecendo cursos profissionalizantes, atividades esportivas e culturais gratuitas.