Alemão pacificado discute a cidade integrada no Fórum UPP Social

1 junho 2012 | Notícias | Território: Nova Brasília, Fazendinha, Complexo do Alemão

Forum UPP Alemão

Mais de 200 pessoas se reuniram, na manhã de hoje, na Praça do Terço, no Complexo do Alemão, para participar do Fórum UPP Social. O evento, que oficializa a atuação do programa nas comunidades pacificadas, ocorreu dois dias depois de ter sido instalada a quarta Unidade de Polícia Pacificadora no local.

O fórum contou com a participação de representantes de secretarias estaduais e municipais e de líderes comunitários de todas as comunidades que compõem o complexo, que vem passando pelo processo de pacificação desde 2010.

Durante o evento, Ricardo Henriques, presidente do Instituto Pereira Passos, que coordena o programa UPP Social, ressaltou a importância da pacificação para que os próximos passos sejam alcançados. “Trazer uma política de segurança que retire o poder armado dos territórios é chave para os avanços necessários para resolver a dívida social gigantesca que se produziu nesta cidade”, disse.

Ele lembrou que, nos últimos 4 anos, a prefeitura do Rio investiu R$ 650 milhões na região quando foram construídos dois significativos equipamentos públicos: a Praça do Conhecimento e o Cinema Carioca, que ocupam um espaço central na comunidade onde, antes, ficava um ponto de tráfico. Para ele, é importante que os moradores participem da definição do grau de prioridade dos investimentos mais importantes para a população. “Daqui a gente abre uma agenda que não se esgota com duas horas de conversa. Ela se abre com essa conversa, que tem um passado com coisas negativas e positivas”, concluiu.

E na agenda do Alemão, para grande parte dos moradores está a a condição das moradias. Muitas casas apresentam rachaduras, oferecem risco de desabamento ou estão em áreas que não oferecem saneamento básico adequado. Algumas já foram interditadas e seus moradores receberam novos apartamentos ou alugueis sociais, mas voltaram a ser ocupadas por outras pessoas. “Moro na rua da frente. Demoliram casas, alargaram a rua, construíram a torre. Abalaram com a estrutura da minha casa e há mais de um ano vaza água na minha cozinha. Fui a vários lugares reclamar. É o maior jogo de empurra. Não tinha esgoto a céu aberto e ratos antes”, ilustra a moradora Márcia Teixeira.

A também moradora Hannah Oliveira lembrou que, para chegar a uma solução, é preciso participar: “Fico feliz de ver a participação da comunidade. Isso não acontecia assim antes. Não pensem que só viemos fazer reivindicações. A gente trabalha, participa. E precisa se integrar”, avaliou Hannah, que trabalhou no projeto Mulheres da Paz, do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). “O Alemão tem uma coisa boa: a gente não espera o poder público fazer. Parte do levantamento da precariedade do que a obra do PAC nos causou já fizemos, sofrendo hostilidade, quando aqui ainda não era pacificado”, contou.

Representante da Secretaria Municipal de Habitação, a engenheira Ana Luna se encarregou de responder às perguntas feitas pelos moradores.

Além da SMH, também participaram do fórum representantes da Secretaria de Conservação, da Comlurb, do Pouso, da Secretaria Municipal de Habitação, da Secretaria Especial de Desenvolvimento Solidário e da Secretaria Municipal de Urbanismo. A irmã de Tim Lopes também compareceu para relembrar os dez anos da morte do jornalista. “Quero reverenciar todos vocês. Se não nos posicionarmos juntos com o governo, as coisas não vão evoluir”, disse.

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