Comunidades pacificadas criam albergues e recebem turistas

14 junho 2012 | Notícias | Território: Chapéu Mangueira / Babilônia, Pavão-Pavãozinho / Cantagalo

Introduzido no Brasil pelo movimento hippie na década de 60, o conceito de hostel – ou ‘albergue da juventude’ – já está difundido, segundo dados do IBGE e do Ministério do Turismo, em 94 hospedagens das capitais brasileiras, sendo 33 dessas no Rio. Moradores de comunidades pacificadas estão percebendo que esse estilo de empreendimento pode gerar bons frutos.

O Pura Vida Hostel, no Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, e o Favela Inn Hostel, Chapéu-Mangueira/Babilônia são bons exemplos. Duas opções para o viajante que quer combinar preço baixo e hospitalidade. Tudo bem misturado aos sabores da feijoada, a energia da roda de samba e do baile funk que acontecem logo ‘ali na esquina’.

A entrada do albergue Pura Vida

A informalidade aconchegante do Favela Inn

As comunidades Chapéu-Mangueira e Babilônia estão entre as que têm tradição em receber turistas de todos os lugares do mundo. Foi conhecendo um estrangeiro que a moradora Cristiane de Oliveira começou a elaborar o seu novo negócio, iniciado há cerca de dois anos.

O Favela Inn Hostel surgiu quando ela e o marido, donos de uma barraca de bebidas na Praia de Copacabana, conversavam com um de seus clientes – um funcionário da Embratur que costumava fazer incursões em comunidades cariocas, antes mesmo da instalação das UPP’s.

“Iniciamos ali uma amizade. Ele simpatizou com a gente e surgiu a ideia de trazer mais turistas para cá. Aos poucos fomos amadurecendo essa ideia e visualizando como seria o lugar. Aos poucos, colocamos os beliches nos quartos e criamos a cobertura, na laje”, contou Cristiane.

Cristiane e a fachada multicolorida de seu albergue no Chapéu Mangueira

Além da fachada multicolorida, o Favela Inn Hostel apresenta, na essência, todas as cores do Rio. Uma delas é a hospitalidade. Há uma relação intimista entre  hóspedes e anfitriã. Hospedada no Favela Inn, a estudante espanhola Joana Sisternas está fazendo um trabalho de Sociologia no Chapéu-Mangueira: “Estou me sentindo em casa aqui. Sempre que chego na varanda, vem a Cristiane e outras pessoas conversar comigo”. Sua conterrânea, a estudante de Ciências Políticas Liz Massip está fazendo intercâmbio no Rio e concorda: “Gosto da receptividade daqui”.

Filha de brasileiros, a professora de inglês Sônia Lopes tem o costume de visitar diferentes lugares. “Sempre venho aqui para tomar um café. Nesses sete meses que estou no Chapéu-Mangueira, essa casa é a que me faz ser mais bem-vinda ao Rio”, diz.

Filha de brasileiros, a professora de inglês Sônia Lopes tem o costume de visitar diferentes lugares. “Sempre venho aqui para tomar um café. Nesses sete meses que estou no Chapéu-Mangueira, essa casa é a que me faz ser mais bem-vinda ao Rio”, diz.

De acordo com Cristiane, os estrangeiros que chegam à comunidade se encantam. “Aqui, o tratamento que damos aos hóspedes é o mesmo do restante dos hotéis da cidade, mas temos algo mais: a alegria e a simpatia do morador das comunidades cariocas”, disse.

Além disso, existe a preocupação ambiental com a conservação do local onde está o empreendimento. Cristiene já vinha adotando práticas sustentáveis “antes mesmo da Rio + 20”. O albergue tem telhado de Tetra Pak e revestimentos de garrafas pet.

Café com a bela vista do Favela Inn

O Favela Inntem capacidade para receber 18 pessoas, em quatro quartos com três beliches. Cristiane e mais um funcionário fazem a manutenção do local, que tem uma sala para uso de internet e um guia turístico para apresentar a cidade aos hóspedes.

Diversidade e conforto no Pura Vida Hostel  

Na entrada dos morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, a poucas quadras da Praia de Copacabana, o casarão branco e antigo do Pura Vida Hostel hospeda, majoritariamente, mochileiros. O espírito comunitário toma conta do espaço, cuja área de convivência reúne pessoas de diversos países.

Área de convivência no Pura Vida

A propriedade pertencia ao falecido avô do geógrafo Rafael Azeredo, dono do empreendimento que existe há dois anos. “Passei toda minha infância aqui e sempre gostei muito de viajar. Mas percebi que, diferentemente, de muitas cidades do mundo, o Rio ainda é carente de hospedagens voltadas a turistas que gastam menos e têm predileção por aventuras e novas experiências”.

Rafael tem nove funcionários – seis são moradores da comunidade. A cozinheira Michele da Silva está há uma semana trabalhando no estabelecimento. “Aqui, conheço muita gente diferente, do mundo todo. Isso sem contar que o trabalho fica próximo à minha casa”, diz, sem esconder o entusiasmo com o novo emprego.

“É motivo de orgulho poder empregar pessoas da comunidade onde vivo. Todos saem ganhando. Essa é a tendência”, destacou Rafael.

Atualmente, 70% dos hóspedes do hostel são estrangeiros. Segundo o empresário, o hotel pode chegar à ocupação total durante as conferências da Rio + 20. Para Rafael, um albergue instalado numa comunidade com UPP é “perfeito” para o atual momento do Rio de Janeiro.

Com planos de instalar coleta seletiva de lixo, o Pura Vida Hostel oferece churrasqueira, área para festas e acesso gratuito à internet. A recepção, que funciona  24 horas, organiza traslados para o aeroporto e oferece serviço de aluguel de bicicletas. O hostel tem sete quartos, privativos e coletivos, com 43 leitos no toral.

O Pura Vida Hostel está a cinco quilômetros de distância do Bar Garota de Ipanema, onde a Bossa Nova foi criada, e a 200 metros da Estação de Metrô da Praça General Osório.

Serviço:

O Favela Inn Hostel fica na Rua Dr. Nelson, 32 – na comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, Rio de Janeiro. Telefones : 8403-6492 e 3209-2870. E-mail: contact@favelainn.com.

O Pura Vida Hostel fica na Rua Saint Roman, 20, na comunidade Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, em Copacabana, Rio de Janeiro. Telefones: (21) 2210-8885, 7729-2832 ID: 76*133525. E-mail: reservas@puravidahostel.com.br