Na Babilônia, moradores já sentem diferença com as obras do Morar Carioca Verde

5 julho 2012 | Notícias | Território: Chapéu Mangueira / Babilônia

Ainda falta cerca de um ano para as obras serem concluídas, mas as intervenções urbanísticas feitas pelo programa Morar Carioca já começam a fazer grande diferença na vida dos moradores da Babilônia, onde todo o sistema de esgoto está sendo refeito.

“Só [o fato] de os meus filhos não pisarem no esgoto que escorria na rua, já estou muito satisfeito”, diz o detetive particular Luciano de Oliveira, 34, que mora na comunidade há 20 anos com a mulher e os filhos de 6 e 4 anos. “Antes, a gente pisava na água podre”, compara.

O vazamento do esgoto nas ruas, que tanto preocupava Luciano, era causado, segundo ele, por um erro na ligação das rede de escoamento de água de chuvas. Agora, todas as casas estarão ligadas à rede correta, que está sendo inteiramente reformada e tem uma capacidade maior.

Casas verdes e acessibilidade

Além das reformas dos sistemas de esgotamento sanitário e drenagem, o programa inclui a construção de 114 apartamentos para relocar as famílias que terão se desocupar a área de proteção ambiental que fica na comunidade.

Os apartamentos têm o selo azul da Caixa Econômica Federal, concedido a construções que incentivam o uso racional de recursos naturais, a redução do custo de manutenção dos edifícios e promover a conscientização dos moradores e construtores.

Os apartamentos da Babilônia estão sendo construídos de forma a diminuir a necessidade do uso de energia elétrica para ventilação e iluminação: os chuveiros, por exemplo, vão utilizar energia solar para o aquecimento. Além disso, os prédios contam com um sistema de captação de água de chuva, que será utilizada para a limpeza de áreas comuns e a rega de plantas.

“Isso também vai contribuir para diminuir os custos de manutenção dos apartamentos para os moradores”, destaca Flávio Teixeira, arquiteto da Secretaria Municipal de Habitação responsável pela coordenação das obras.

Nas ruas, serão utilizadas lâmpadas com iluminação de led, que consomem menos energia, e o piso das praças que estão sendo reformadas é feito com plástico reciclado.

Pneus, um dos principais passivos ambientais gerados no planeta, compõe 20% do revestimento usado para fazer uma via de serviços que vai até a parte mais alta do morro para facilitar a coleta de lixo e o deslocamentos de emergência, como atendimentos de ambulância, por exemplo.

“Isso vai facilitar a vida dos moradores que moram na parte mais alta, vai melhorar muito a acessibilidade deles, o lixo poderá ser recolhido na porta, por exemplo”, diz Flávio.

A obra, sem dúvida, uma das que mais preocupa os moradores, já que alguns também vão precisar ser realocados para a passagem da via.

É uma questão delicada, já que envolve uma obra que beneficia toda a comunidade, mas que muda muito drasticamente a vida de algumas famílias. Assim como no caso das famílias que terão de sair da Área de Proteção Ambiental, a SMH oferece aos moradores a opção de ir para um dos apartamentos, realizar uma compra assistida ou receber uma indenização.

Um posto de atendimento social foi instalado na comunidade para tirar as dúvidas dos moradores, que funciona três vezes por semana, às segundas, terças e quartas, das 9h30 às 13h.

O projeto do Chapéu Mangueira e da Babilônia é o único “verde” da primeira fase do Morar Carioca e está sendo usado como modelo. A ideia é que as características verdes sejam empregadas em outras comunidades. “Mas é claro que cada uma precisa de um projeto adequado a ela”, ressalta Flávio.