Pacificação vira arte grafitada

21 julho 2012 | Notícias | Território: Tabajaras / Cabritos, Vidigal, Fallet / Fogueteiro / Coroa, Escondidinho / Prazeres , Complexo do Alemão, Batan

Raphael Phar, do Batan, e seu "Real Imaginário"

Uma noite com muita música, dança e arte. Foi assim a inauguração da exposição “A cor da Paz”. A mostra é resultado do trabalho de oito grafiteiros de comunidades pacificadas que tiveram como desafio representar o que é a pacificação através de grafite, pintura e  instalações com madeira. Essa é a terceira edição do X-Tudo Cultural, um evento promovido pelo SESI Cultural que estimula a diversidade e a troca de experiências artísticas nas artes plásticas, teatro, dança e música, buscando a democratização da cultura na cidade do Rio de Janeiro. O projeto oferece ao público, até o dia 27 de julho, um panorama do cenário cultural carioca, levando a arte das ruas para o museu.

O curador de arte da exposição, Airá Ocrespo contou que escolheu artistas de comunidades que já tinham algum movimento expressivo com grafiteiros. Airá – que também faz grafites – acompanhou a produção das obras e teve o cuidado de sugerir que os artistas unissem o grafite a outras técnicas. A ideia era tentar diminuir a formalidade das obras de artes convencionais. “O nome da exposição tem um duplo sentido que, além de querer mostrar o colorido da paz através da arte, exalta o “Acorda Paz!” como se fosse um apelo”, explica.

Foram selecionados artistas das comunidades da Rocinha, dos Tabajaras, Morro do Fallet, Alemão, Batan, Morro dos Prazeres e Vidigal (que foi representado por dois artistas). A gerente de cultura e Arte do Sistema Firjan, Fabiana Scherer, explica que a escolha do tema se deu por causa do projeto Sesi Cidadania, que já existe nessas comunidades com um trabalho de grafite para crianças.

“Tenho na minha casa uma parede grafitada. Acredito que essa arte já faz parte da nossa vida. Era um desafio e achei o resultado muito interessante porque eles usaram várias linguagens. Sem contar o sorriso na cara dos artistas em poder expor o seu trabalho que muitas vezes não é valorizado”, diz Fabiana.

O artista Raphael Phar, morador da comunidade do Batan, ficou feliz com o convite e teve a surpresa de receber sua família na exposição. Sua obra, intitulada “Real Imaginário” representa o Cristo Redentor abraçando toda comunidade dele e o futebol como lazer de crianças, tudo com um tom crítico. “Quando a UPP foi instalada na minha comunidade, ninguém sabia como seria. Por isso representei a opressão na obra. Estávamos acostumados a ver armas nas mãos de bandidos, depois na mão de gente desconhecida e, por último, nas mãos do estado. Então, vimos que depois da guerra veio a paz”, diz Raphael.

A inauguração da exposição contou com a presença do grupo de teatro circense “Tá na Rua”, que se apresentou com a Orquestra Voadora. O evento leva o nome de X-Tudo porque mistura artistas novos com outros renomados, lembra um sanduíche com vários ingredientes.

O estudante Victor Vellasco, 17 anos,  ficou encantado com todo movimento cultural em volta dele e indicou a exposição:

“Além de ser uma junção cultural interessante, a exposição é gratuita e nos faz ver a arte de rua que geralmente não vem para o museu”.

 

Serviço

O que: X-TUDO CULTURAL- Exposição A Cor da Paz – com obras de Airá Ocrespo,

Wark, Leandro Tick, Camila Cristina, Rômulo Sesh, José Zeco, Rafael Phar, Anderson

Duim e Tiago Tarm.

Onde: Teatro SESI, Centro – Av. Graça Aranha, 1

Quando: De 17 a 27 de julho, de 10h às 20h

Mais informações: (21) 2563-4163 / www.firjan.org.br/xtudocultural

Entrada Franca