Parceria com empresa dá fôlego a associação de costureiras no Cantagalo

18 julho 2012 | Notícias | Território: Pavão-Pavãozinho / Cantagalo

Há 3 meses, um novo tipo de material passou a fazer parte do estoque da associação de costureiras Corte e Arte, no Cantagalo: a lona. Depois de uma parceria firmada com a concessionária CCR, com apoio da UPP Social,  todas as lonas usadas pela empresa seguem para lá, onde são transformadas em acessórios.

“Costuramos as lonas que a empresa jogava fora. Fazemos bolsas, brindes e o que mais for demandado. É um trabalho interessante e um recurso importante para as mulheres”, explica Elizete da Silva Napoleão, uma das fundadoras da associação.

A CCR reformou o galpão das costureiras que funciona numa sala no prédio do Criança Esperança, no alto do Cantagalo, e fez a doação de máquinas de costuras potentes para que todas possam trabalhar com as lonas. Tudo que é produzido retorna para a empresa, que se encarrega da distribuição.

A parceria aumentou a renda das mulheres. Mas, além dos produtos com lonas elas continuam recebendo encomendas e costuram roupas que são comercializadas lá mesmo. É possivel comprar de blusas a bolsas.

Quinze anos de história

Fundada em 1997, por 12 costureiras, a Corte e Arte nasceu com a proposta de transformar a condição de trabalho das mulheres que eram empregadas em grandes confecções.

“Queríamos tempo para conciliar a família e o trabalho e tínhamos essa vontade de ser empreendedoras e atuar na nossa comunidade”, conta Elizete. Ela lembra até hoje do primeiro salário que recebeu, seis meses depois de criar a associação.

“Foi difícil porque ninguém acreditava no nosso poder de mobilização, nem mesmo nossos maridos”, conta rindo Elizete.

No começo, cada uma trouxe sua máquina de costura e as mulheres andavam toda a comunidade atrás de clientes. Não recusavam nenhum tipo de serviço. Desde então, muita coisa já passou por aquelas máquinas: figurinos para peças de teatro, roupas de passistas do Império Serrano e todo tipo de conserto de roupas para pessoas da comunidade.

Hoje, 22 mulheres fazem parte do quadro de costureiras. Euci da Silva Freitas conhece bem a história da Corte e Arte. Trabalha lá há quinze anos e conta que a associação devolveu a autoestima de muitas mulheres do morro. “Sou um bom exemplo. Antes de entrar aqui, eu nunca havia trabalhado. Hoje sou uma pessoa melhor, envolvida com minha comunidade e capaz de ajudar outras mulheres a encontrar o caminho delas no mundo do trabalho”, diz.

Todas as mulheres têm cursos de capacitação e são incentivadas a estudar – e mais da metade delas o fazem.

A cliente que virou sócia

Há seis anos, quando a costureira Josefa Almeida precisou comprar um maiô para sua filha, subiu o Morro do Cantagalo atrás das mulheres que faziam roupas e vendiam mais barato que nas lojas do “asfalto”.

“Estava desempregada. Cheguei lá no alto do morro e, quando vi o trabalho do grupo de mulheres, me empolguei. Perguntei meio acanhada se tinha vaga para trabalhar e, para meu espanto, comecei na mesma hora. Estou aqui até hoje”, conta ela.

A possibilidade de conciliar o trabalho com a vida familiar é um diferencial importante para Josefa. “Na corte e arte a jornada de trabalho é justa. Fico seis horas corridas lá e, com isso, sobra tempo para levar e buscar minha filha na escola”, diz.