UPP Social no Complexo da Penha

20 julho 2012 | Notícias | Território: Complexo da Penha

Forum Penha

Cerca de 220 pessoas compareceram hoje (20) ao primeiro Fórum UPP Social no Complexo da Penha, que marcou o início oficial das atividades do programa no território, depois de três meses de pré-implantação. Realizado no salão da Igreja Nossa Senhora Aparecida, na Vila Cruzeiro, o encontro reuniu moradores, lideranças e gestores públicos em um debate sobre como melhorar a oferta de serviços públicos e incentivar o desenvolvimento local.

Depois de uma saudação do Secretário Municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, o presidente do IPP e coordenador da UPP Social, Ricardo Henriques, apresentou o programa e seu principal objetivo: contribuir para que a Prefeitura possa oferecer às áreas pacificadas serviços compatíveis com os oferecidos no resto da cidade. Para isso, ele explicou, é preciso que agentes públicos e comunidades dialoguem e entrem em acordos, precisam dialogar. “O diálogo por vezes é difícil e tenso, mas, necessário. Precisamos aprender conjuntamente a produzir resultados capazes de reduzir a nossa dívida social.”

Henriques ressaltou que alguns dos resultados desejados não serão produzidos rapidamente. “Dificilmente demandas de anos são resolvidas em duas horas de conversa. Isso é um processo. Estamos abrindo o caminho para um diálogo que deve ser constante para produzir resultados”, ressaltou o presidente do IPP,  que comentou na apresentação que deixará o comando do Instituto e da UPP Social em 31 de julho.

Henriques aproveitou a ocasião para apresentar a secretária de Fazenda, Eduarda LaRocque, que assumirá o Instituto e a coordenação da UPP Social a partir de 1 de agosto. “Meu objetivo é trabalhar para diminuir a desigualdade de oportunidades. Espero conseguir aumentar a captação de recursos para gerar mais oportunidades e viabilizar os projetos necessários”, disse Eduarda.

O encontro no Complexo da Penha teve um ritmo dinâmico, em que as perguntas dos moradores foram rapidamente respondidas pelos representantes do setor público. Moradores preocupados com a possibilidade de remoção de suas casas foram orientados por Ana Luna, da Secretaria de Habitação, a buscar informações no canteiro de obras do Morar Carioca. Trânsito e transporte foram temas de várias intervenções.  “Gostaria que o Detran viesse aqui e fizesse um mutirão para regularizar a situação de todos porque muitos estão na mesma situação que eu”, disse o mototaxista Cleyton Marques. Edson Souza reclamou da aplicação de multas na Vila Cruzeiro: “Tenho um comércio e não consigo parar meu carro lá porque toda vez sou multado”. Foi definido uma nova discussão sobre esse tema, envolvendo moradores UPP Social, UPP e Cet-Rio, entre outros agentes públicos.

Pedro Antonio queria a autorização para que eventos culturais como rodas de pagode e bailes funk voltem a acontecer na comunidade: “É o nosso lazer, sentimos falta disso e queremos realizar tudo dentro da Lei. Precisamos de um direcionamento”. O Coronel Seabra, comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, lembrou que os eventos desagradam a muitos moradores, que reclamam do ruído. Mesmo assim, propôs-se a dialogar: “Temos de sentar e estabelecer limites para que esses eventos possam acontecer”.

Base do fórum da UPP Social, o diálogo continuará agora em reuniões setoriais, facilitando a  transição das comunidades pacificadas para uma situação de maior formalidade. “A formalização tem custos, mas permite exigir direitos, serviços. O mundo melhora. Mas, para que as mudanças aconteçam, será preciso o protagonismo de quem mora aqui”, encerrou Henriques.