Equipe do Programa UPP Social assiste a pré-estreia de ’5xPacificação’

6 setembro 2012 | Notícias | Território: Andaraí, Vidigal, Turano, Tabajaras / Cabritos, São João, São Carlos, Santa Marta, Salgueiro, Providência, Pavão-Pavãozinho / Cantagalo, Mangueira, Macacos, Formiga, Fallet / Fogueteiro / Coroa, Escondidinho / Prazeres , Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Cidade de Deus, Chapéu Mangueira / Babilônia, Borel, Batan

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“Nós vivemos isso de fato. Tem gente que só mora, mas nós vivemos aqui. Vivemos o futebol, o funk, o samba, tudo”, disse Rodrigo Felha, morador da Cidade de Deus e um dos diretores do filme 5xPacificação, antes da pré-estreia do filme hoje de manhã em Botafogo, em sessão especial para representantes de organizações sociais e do poder público.

O olhar de quem vive, narrado por quem é parte dessa história é o tom da produção desse filme com ares de documentário. A produção é dividida em cinco episódios: “Morro”, “Polícia”, “Bandido”, “Asfalto” e “Complexo”. Com produção de Cacá Diegues e direção conjunta de Luciano Vidigal (Morro do Vidigal), Wagner Novais (Cidade de Deus), Rodrigo Felha (Cidade de Deus) e Cadu Barcelos (Complexo da Maré), o filme entra em circuito comercial no fim de outubro, mas já foi projetado em festivais da França, Alemanha e Nova York.

“Na minha percepção, o filme é fantástico. Não tem nada fechado, abre o tema para discussão. Mostra exatamente que segurança pública é um conjunto de coisas. A polícia é um elo de uma corrente que a gente entende como solução. É absolutamente necessário que a prefeitura, que o governo do Estado, que ONGs e que a própria população façam sua parte”, disse o secretário de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, Mariano Beltrame, presente na sessão.

Para Luciano Vidigal, o cinema é a arma que eles, moradores de favelas, têm para mostrar seu lado da história. “Quando a favela for humanizada, ela será apreciada. E a arte é a nossa saída”, disse.

Cadu Barcellos é o único dos diretores que mora em uma favela que não tem UPP. “Moro numa favela que está próxima à realidade da pacificação, e percebemos as discussões do governo, da sociedade e das empresas. O filme mostra a revolução pela qual passa o Rio de Janeiro numa perspectiva dos grandes jogos esportivos, um momento ímpar”, disse o diretor da Maré.

As UPPs e seus impactos perpassam todo o Rio de Janeiro. Wagner Novais levantou a bola e perguntou ao público: O que vocês veem quando chegam ao Rio de Janeiro? “Aonde você vai pela cidade você vê favela. A favela não está fora do contexto da cidade. Queremos fazer parte dos mecanismos formais da cidade e desse processo de paz. Essa política não deve ser de governo. Ela deve ser feita pela sociedade. Nós sabemos o que precisamos. Ficar calado não dá mais!”, finalizou o diretor antes de dar início à exibição do filme.

Episódios

Cada episódio foi dirigido por um morador de uma favela diferente. Cadu Barcelos, do Complexo da Maré, dirigiu “Morro”, que mostra opiniões de moradores de favelas pacificadas em oposição a opiniões de moradores de favelas sem UPP.

“Polícia” foi dirigido por Rodrigo Felha, cria da Cidade de Deus, e mostra a preparação dos novos policiais destinados a atuar nas UPPs e como eles e os moradores de comunidades pacificadas entendem seu papel no projeto.

A favela onde nasceu o diretor de “Bandidos” foi incorporada a seu nome, Luciano Vidigal. No episódio, ex-traficantes contam suas histórias e a tentativa de reintegração à sociedade através de apoio de programas de emprego e preparação profissional para enfrentar o mercado de trabalho.

Os impactos da política de pacificação também podem ser vistos em “Asfalto”, de Wagner Morais, em que moradores do entorno de favelas pacificadas ou não falam a respeito de suas percepções.

“Complexo” é o episódio que, embora estivesse fora do roteiro original, fecha a trama. É uma espécie de balanço feito pelos próprios diretores.O filme faz questão de não iludir o público com a expectativa de um ‘milagre’. A nova política de segurança pública, representada pelas UPPs, é apenas um bem-vindo primeiro passo do estado na incorporação das favelas cariocas à cidade, no processo de dar a elas um estatuto de plena cidadania”, afirmam os realizadores.

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